terça-feira, 3 de maio de 2011

Coluna da Jô

Coluna da Jô
Síndrome do Pânico – ou Transtorno de Ansiedade Generalizada
Hoje vou falar de uma doença que eu tenho, e que é típica dos tempos modernos, gerada pela ansiedade: Síndrome do Pânico.Você sabe o que é isso? Ao contrário do que o nome sugere, a Síndrome do Pânico NÃO TEM NADA A VER COM MEDO! É um transtorno de ansiedade, onde o cérebro é super estimulado, e desencadeia reações fisiológicas como se o indivíduo estivesse pronto para ser atacado ou atacar.Ou seja, desencadeia as mesmas reações que enfrentaríamos diante de uma situação extremamente aterrorizante (pânico), mas sem ter uma ameaça real e concreta.

Não sou expert, nem estou totalmente curada, mas hoje ando sozinha, pego ônibus, viajo, vou ao banco, shopping, supermercado. Já saí correndo de shopping e supermercado, só para tomar ar. Já chorei em ponto de ônibus. Hoje já não faço mais isso. Lógico que às vezes "ele" aparece. No meu caso, banco e supermercado são lugares onde eu redobro a vigilância. Mas hoje eu sei o que fazer. Melhorei muito. Tenho uma vida normal. Quase nunca tenho uma crise, e na maioria das vezes que tenho, eu a ignoro. Não dou chance para ela entrar na minha vida e distraio o meu cérebro com outra coisa.

Por isso, gostaria de compartilhar algumas coisas com vocês. São minhas dicas. Eu aprendi com outras pessoas que sofrem do mesmo mal e deram certo prá mim. Espero que possa ajudar vocês.

Por favor, quem tiver mais alguma dica e quiser compartilhar, sinta-se à vontade. A solidariedade é muito importante. Um aprende com o outro. Isso é muito importante: a vontade de aprender e de ficar curado!
Antes de começar só um lembrete: a gente lê, acha bonito, mas na hora do vamos ver, na hora do ataque, a gente nem lembra o que leu, nem consegue lembrar o que fazer. É assim mesmo. Tudo é uma questão de tempo e disciplina. Geralmente a gente não consegue nas primeiras vezes, mas se persistir irá conseguir. Agora, vamos às dicas:


1.Aprenda a diferenciar ansiedade e pânico. Ansiedade é normal em certas situações: provas, entrevistas, visitas ao médico, etc. Quando você conseguir diferenciar um do outro, já é meio caminho andado.

2.Vale a pena fazer check-ups para ver se tudo está ok.

3.Exposição: se você não sai de casa, não se culpe nem se desespere. Comece assim: hoje eu vou andar 2 minutos na rua. E marque o tempo no relógio. Leve uma garrafinha de água. Passou mal, pare, respire, beba água, senta no chão, encoste na parede. Deu 2 minutos, volte para casa. Vá fazendo isso progressivamente. Quando você perceber, já estará andando 30 minutos. A gente não consegue fazer isso do dia prá noite. No meu caso, foram meses. Mas eu não desisti. Não liguem para o que os outros vão falar: "andar 5 minutos? que horror!". A sociedade de hoje exige que a gente faça as coisas com pressa. Isso gera ansiedade. Para nós, portadores de pânico, isso é muito ruim. Aprender a desacelerar é fundamental para retomar o controle da mente.

4.terapia é fundamental. Existem alguns planos de saúde que pagam. Em hospitais públicos e faculdades de psicologia, geralmente há grupos de terapia. Pesquisem. A terapia é ótima não porque cura o pânico. Mas porque você aprende sobre você mesmo e sobre os motivos e as razões de você estar assim; ou o porquê de você ter ataques em determinados locais ou situações e em outros não. É um processo longo, mas vale a pena.

5. aprenda tudo o que puder sobre o pânico. Quanto mais informação você tiver, mais seguro você fica.

6. sentiu que vai ter um ataque? Primeiro, respire fundo. Segundo, respire fundo. Terceiro, distraia a sua mente. Vale qualquer coisa: ler uma revista, ouvir uma música, contar de 0-100 de trás prá frente, qualquer coisa que desvie a atenção do ataque em si. Traga a sua mente para o presente e concentre-se no aqui e agora. Duas dicas que deram super certo para mim: primeiro, escolha um horário do dia para ficar pensando nos problemas. E pense nesses problemas somente nesse horário. Depois, quando os pensamentos vierem te atormentar ao longo do dia, diga: seu horário não é agora! segundo: escreva num papel tudo o que te atormenta e as razões da sua preocupação. Racionalize os problemas. Acreditem, no auge da minha doença, no começo do tratamento, essas dicas foram fundamentais. A idéia é esvaziar a mente dos problemas.

7.Meditação: acalmar a mente. É ótimo! Recomendo.Para quem acredita em Deus ou em algum tipo de espiritualidade; rezem/orem. Não abandonem essa parte.
8. O acompanhamento de um profissional qualificado, no qual você confia! Escolher um médico em quem você confia faz toda a diferença. E, medicação, só com ordens dele!

Não se culpem por não ter conseguido sair de casa hoje, ou por ter saído correndo de algum lugar, ou ter dado vexame. Existem dias bons e dias ruins. Pense que amanhã será diferente. E acredite nisso.

Aprenda que existem coisas que nós não podemos mudar e que certos problemas não são nossos. Portanto, saiba não se envolver com os problemas alheios. É duro, é difícil, mas é fundamental aprender a falar não.

Recomendo o site do APOIAR: www.apoiar.org.br, foi lá que eu aprendi a maior parte dessas coisas. Entrem, vocês vão gostar.

Ah! Nada de abusar de álcool, cigarro, café e etc... Isso só piora.

Bom, essas foram algumas dicas que eu lembrei. Se vocês gostarem, posso colocar mais algumas. Espero o comentário de vocês e as dicas de vocês todos. Boa-sorte e espero ter ajudado. Abraços.
Inté!

Um comentário:

  1. Parabéns! Esse assunto foi muito bom e valeu pelas dicas.

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