quarta-feira, 16 de março de 2011

A Sua

Eu só quero que você saiba 
Que eu estou pensando em você
Agora e sempre mais
Eu só quero que você ouça
A canção que eu fiz pra dizer
Que te adoro cada vez mais
E que eu te quero sempre em paz

Tô com sintomas de saudade
Tô pensando em você
Como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Pois te quero livre também
Como o tempo vai o vento vem

Eu só quero que você caiba
No meu colo porque
Eu te adoro cada vez mais
Eu só quero que você siga
Para onde quiser
Que eu não vou ficar muito atrás

Tô com sintomas de saudade
Tô pensando em você
Como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Pois te quero livre também
Como o tempo vai o vento vem

Eu só quero que você saiba
Que eu estou pensando em você
Pois te quero livre também
Como o tempo vai o vento vem
Porque eu te quero livre também
Como o tempo vai o vento vem
[Marisa Monte]



Fonte: Vagalume

terça-feira, 15 de março de 2011

Postagem Especial

É com grande alegria e satisfação que trago hoje uma reflexão escrita por minha tão querida irmã de adaga: Joely Pinheiro.
Curtam a leitura e reflitam um pouquinho....

Certos acontecimentos...

Certos acontecimentos nos levam a refletir sobre a nossa existência. Certos acontecimentos mudam nossa existência. Certos acontecimentos transformam nossas vidas. Certos acontecimentos mudam nossa visão de mundo. Certos acontecimentos destroem nossas vidas. E certos acontecimentos simplesmente renovam nossas vidas.
            Um certo acontecimento ocorrido na última semana, transformou a vida de centenas de milhares de pessoas no Japão. O forte terremoto e a onda gigantesca que o seguiu, destruiu vidas, casas, deixando atrás de si tragédias e um mundo todo com pesar e de queixo caído.
            A velocidade com que as informações e imagens da tragédia rodaram o mundo, nos fez acompanhar em tempo real o que acontecia no Extremo Oriente. Sentíamos na pele a dor das famílias, o desespero de se perder um ente querido, ficando com o mesmo triste e atônito olhar que essas pessoas exibiam.
            As imagens não pararam e nem param de chegar. Emissoras de televisão cobrem terremotos e agora, vazamentos nucleares ao vivo. Mas mostram também algo nunca visto antes: organização, respeito.
            Sem água, sem luz, sem comida, sem roupas, milhares de pessoas esperam pacientemente nas filas, para terem acesso ao mínimo necessário. Sim, como em qualquer lugar do mundo, onde tragédias tenham se instalado.  Mas ali não é qualquer lugar do mundo: os indivíduos que estão na fila são diferentes. Não tentam “furar” a fila, não compram vaga na fila das mãos de cambistas, não falam palavrões, não xingam o governo, Deus, ou qualquer outra pessoa. Simplesmente esperam por sua vez. Com educação e resignação.
            Também não vemos saques. As pessoas não precisam temer que seus pertences (se é que sobraram algum), irão ser subtraídos....Também não vemos ataques à supermercados. Por que?
            Porque lá não é aqui....Porque lá o que é Público e o que é Privado, não se confundem. Porque lá, ao contrário daqui, ninguém espera levar vantagem com a desgraça alheia. Porque lá, educação e gentileza são coisas que se aprende desde a mais tenra infância. Porque lá não é aqui.
            Se a tragédia tivesse sido aqui....Bem, no mínimo teríamos imagens de gente chorando e se estapeando no meio da fila, porque estava desde a madrugada esperando por um galão de água, mas alguém conseguiu uma senha e pegou o galão primeiro. Teríamos pessoas gritando palavras de ordem contra o governo, contra São Pedro (ele é o meteorologista lá de cima) e contra tudo e todos. Teríamos pessoas dormindo em cima de escombros, para evitar que seus poucos pertences fossem roubados. Teríamos saques aos supermercados e lojas de eletrodomésticos; porque precisamos comer e ter uma televisão Led de 50 polegadas full HD....
            Enquanto lá só há tragédia, aqui seria tragédia e violência....Não se pode prever ou evitar o capricho da natureza. Mas podemos evitar a violência humana, com os mesmos valores que os japoneses estão nos transmitindo nesse momento doloroso: educação, respeito, separação entre o Público e o Privado. Será que ainda temos tempo? Ou como diria Sartre: “o inferno são os outros”? E nós somos apenas vítimas?

Joely Pinheiro 

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